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Resiliência e sexualidade

February 19, 2019

Quero chamar a atenção para o ritmo e a perspectiva de uma parcela significativa dos adultos, incluindo os que há pouco eram da chamada geração “nem-nem”.

 

Assim, tema atual é a resiliência. Trata-se, segundo o dicionário, da propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica, e também da capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças.

 

Fontes da internet trazem a resiliência como “a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse, algum tipo de evento traumático, etc. - sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades. Nas organizações, a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém se depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças estratégicas na pessoa para enfrentar a adversidade.” (Wikipédia)

 

Para desenvolver a resiliência, resumidamente, existem Modelos de Crenças Determinantes – MCD, que abordam faces das relações humanas onde a atitude e a conduta são levadas a efeitos para superação de obstáculos e o alcance de metas, com auxílio de um coaching especializado. (fonte: SOBRARE)

 

Respeito a visão desses profissionais e seu aspecto empreendedor, afinal, se existe o serviço é por que existe uma demanda, e creio que são de enorme valia no auxílio às pessoas.

 

Mas uma questão de fundo chama a atenção: a cada dia vemos mais pessoas procurando outras - repito, não me oponho a essa atividade - para que ajudem a fazer o que é lógico e necessário que se faça!

 

Exemplo: concurseiros. Contrata-se alguém para auxiliar o candidato a fazer o que é necessário para uma aprovação... estudar. Já lecionei em cursos preparatórios, e a expectativa dos alunos é que o professor apresente o conteúdo e raciocine por eles, que ficam satisfeitos com o resultado da aula substanciado num resumo fantástico, num esquema milagroso ou numa questão resolvida de uma banca exigente. A tecnologia ajuda, o desenvolvimento de abordagens diferenciadas auxilia, mas ainda nada substitui o essencial: o velho método BCNL – bunda na cadeira e nariz no livro (ou na tela do tablet)!

 

Também é comum ouvir a frase: “ - Fulano vai arrumar um emprego pra mim...”

 

Disso vemos gerações que, diante de qualquer desejo ou propósito, não avançam em direção a isso.

 

O que se pergunta é: se a resiliência é atributo natural da pessoa, onde foi parar a capacidade de lutar e sobreviver? A capacidade de fazer do limão uma limonada? A própria sexualidade reflete essa inércia em que se vive.

 

Mesmo questões atuais como transexualidade revelam um quadro onde aparentemente a própria satisfação pessoal nessa questão dá lugar ao debate e à exposição, muitas vezes desnecessários à realização pessoal, encontrando o preconceito e a violência de muitos que (por ignorância ou medo de si) não aceitam esse fato humano.

 

Há muito, e Freud nos informa isso, que a sexualidade é posta à margem da formação integral do ser humano, não sendo considerado elemento saudável por si, levando todos a considerarem a sexualidade um tabu. Uma função essencial à existência humana fica num lugar escuro e assombrado, proibido de ser explorado, limpo, iluminado e vivido.

 

Concomitante à repressão, as pessoas a cada dia perdem a capacidade de resolver sue problemas, e tudo o que seria apoio passa a ser fundamental.

 

Fatores como a informação veloz e disponível não permitem um desenvolvimento individual, incluindo o da sexualidade, de forma saudável, pois inibe o contato pessoal, onde não se reconhece o limite mais perene e sensível na vida humana: a individualidade do outro.

 

São contextos onde um abraço apertado, ofegante e excitado são raros, e isso leva um indivíduo a achar que seus desejos são soberanos, que não podem sofrer frustrações... afinal, o jogo do “já é” ou “já era” não traz pele, sedução, imaginação, sonhos, expectativa e muito menos frustração... ou seja, não há recuperação de uma mágoa, tem-se uma crença limitante, mas onde aprenderam isso em que acreditam?

 

Existe então a violência e o crime em nome de um amor doentio... basta observar as notícias de feminicídio, e não se vê mais alguém lutar por amor ou investir numa conquista. Há destruição do objeto de desejo... visto apenas como um objeto e não como uma pessoa.

 

Peço uma reflexão, pois de uma forma ou de outra, vemos cada vez mais pessoas que não alcançam seu objetivo - seja o prazer, a realização, o estatus – com autonomia ou esforço próprio.

 

No passado, donzelas eram sacrificadas, o amor e a beleza eram entregues a deuses do mal e a monstros... e ainda hoje o amor e a beleza são sacrificados perante monstros e deuses do mal que tomam conta da vida de alguém, inclusive através do mundo virtual.

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