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A resposta certa para a pergunta certa

January 15, 2017

- Bom dia, por favor, quero um quilo de queijo.

- Bom dia, fatiado ou em pedaço?

- Fatiado.

...

- Pronto. O que mais deseja?

- Nada.

- É só?

- Sim, é só isso.

O atendente não reconheceu a resposta inicial como satisfatória, esperava que eu respondesse: "- É só!". Tanto esperava essa resposta que mesmo depois de ouvir minha resposta buscou a confirmação perguntado se era só.

"Nada" foi minha resposta, e a creio adequada, à pergunta se desejava algo mais.

Bem, esse escrito não é sobre lingua portuguesa, e serve apenas para indicar um dos muitos condicionamentos a que estamos submetidos, na maioria das vezes inconscientes.

Eis um exemplo decorrente da rotina, do costume, do aprendizado.

Pense em quantos atos condicionados, inconscientes, praticamos do acordar ao dormir.

Quando encontramos alguém perguntamos: "-Tudo bem?". Somos capazes de perguntar isso em um velório! É o costume... e nos damos conta da inadequação da pergunta logo após perguntarmos. Ora, num velório não está tudo bem.

Aliás, poucas vezes está tudo bem, entretanto, por privacidade ou pudor não revelamos nossos problemas rotineiramente.

Se, como resposta ao "- Está tudo bem?", ouvimos um "não" sonoro, ficamos chocados, imaginamos que a pessoa é pessimista ou tem uma catástrofe na sua vida, quebra o clima, há constrangimento, ficamos curiosos...

Se soubéssemos que está tudo bem não perguntaríamos, logo, se a pergunta é feita, a resposta pode ser sim ou não.

Tudo isso fazemos inconscientemente, apenas outras pessoas atentas ou interessadas percebem.

Tal inconsciência decorre na maioria das vezes de uma rotina ou condicionamento adquirido já na fase adolescente, na adulta. E quantas perguntas inúteis ou respostas inadequadas transmitimos no decorrer da vida, muitas vezes por motivos que nem lembramos? E qual o benefício ou utilidade disso para nossa vida? Quantas respostas e perguntas deram oportunidade à ansiedade, ao conflito ou mesmo à simples não realização dos nossos desejos?

Um cônjuge pergunta ao outro "- O que é isso?" diante da ousadia do outro, em vez de apreciar o ato criativo. Ou pergunta "- Onde você está?", quando fala ao telefone, em vez de perguntar primeiro se o cônjuge está bem.

São condicionamentos que, se não prejudicam, também não contribuem para a plenitude do que se faz ou se vive.

A rotina... sem você perceber, ela modifica seus atos e sua autoimagem. Imagine os condicionamentos aos quais você é submetido desde o nascimento, sem saber por que, e onde você aprendeu que  a plenitude não é direito seu ou que a felicidade tem um modelo? Prefere agarrar-se à rotina, ao comum... Por medo, insegurança ou certeza do modelo perfeito em que se vive?

Quem disse que você só entende certas respostas ou que pode fazer apenas algumas perguntas? Quem disse pra não dar atenção a si ou àqueles que merecem seu afeto?

Abraço e boa sorte!

 

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